sábado, 20 de junho de 2015


 Danças urbanas ou danças de instantes

Dançar o espaço? O que está além o dançar no espaço? A vontade de quebrar a rotina já repetida incansavelmente neste espaço? Um ir e vir proposital sempre com o mesmo determinado proposito de se locomover de um lugar ao outro. Utilizando de um mesmo gestual regrado e funcional. O movimento dos nossos corpos no espaço urbano sempre tem um proposito funcional, trajeto retilíneo de chegar de um lugar ao outro. Quando eu crio uma relação diferente de tempo, de corpo, eu modifico este local no tempo presente, mas também modifico para aquelas pessoas que transitam naquele espaço. Eu altero a sua lógica de interação.  Mas não é somente sobre isso que quero dialogar na minha proposta, ela também tem um caráter de luta contra uma opressão diária que vivenciamos e somos condicionad@s diariamente em nossos corpos.

O uso do corpo com liberdade, quando podemos exercer este livre uso do nosso corpo, dos nossos gestos com a devida liberdade?

Quando, onde, e em qual determinada situação? - Sempre nos condicionamos a estas três regras. Somos levados a pensar em determinados espaços para determinadas ações.

Criamos uma partitura de movimentos socialmente aceitável. Uma partitura de movimentos para cada determinado espaço. Entrar no ônibus, subir os degraus, pagar a passagem, se sentar, tudo numa certa convenção gestual. Convenção de agir que todas as pessoas repetem incansavelmente no seu dia-a-dia. Há uma forma de se sentar ao banco, de agir e locomover neste espaço, não há espaço para um outro gestual. Esse gestual já estabelecido cumpre a sua função necessária dentro desta mesma de se locomover. “Aqui a sociedade é feita de grupos aprisionados a modos específicos  de fazeres, a lugares onde esses fazeres são exercitados e a modos de ser que correspondem duplamente a esses afazeres e a esses lugares. Neste encaixe de funções, lugares e modos de ser, não lugar algum para qualquer vazio.”¹

Mas será que se eu no instante que eu quiser me locomover de uma forma totalmente não convencional, se eu quiser dançar este espaço ao contrário de simplesmente me locomover, isso seria visto com “bons olhos”? Seria visto como eu exercendo minha liberdade de se expressar?
Qual é a visão do outro quando entra em contato com “esta estranheza”, com o incomum? Ele aceita ou rejeita, ou apenas rejeita tudo que não está dentro do comum, da convenção, do aceitável. A intenção também é de investigar essa aceitação e não aceitação do público, no intuito de uma pesquisa de como isso interfere no cotidiano. Na vontade de “Perturbar a formatação cega de gestos, hábitos e percepções”².
Pensei em registrar essas interferências, essas reações do público de algumas formas.
Para não interferir na reação de quem vê, será utilizada uma câmera que estará camuflada por uma pessoa. Está pessoa também ficará no local após a intervenção para tentar absorver as reações posteriores dos transeuntes que estavam ali.